19 de maio de 2020

Performance live: Deslocamentos

Júlia Brandão

Em Deslocamentos, meu campo de investigação é o corpo em relação a noções de identidade e memórias culturais inerentes ao espaço que ele habita. Lidando predominantemente com tecidos, exploro a materialidade e utilização de técnicas que cruzam os universos das artes plásticas, costura e tapeçaria. Partindo de tecidos fragmentados, Deslocamentos é uma performance e instalação nas quais se pode adentrar. Reunindo elementos de domínio pessoal e de cultura popular, busco estabelecer conexões emocionais e ativar memórias coletivas. 

Na performance proposta, o objeto como um todo traz reflexões sobre as relações entre materialidade e o indivíduo. O ato de cortar o tecido coloca em foco a fragilidade de um material que sempre foi denominado doméstico. Ao utilizar o tecido como linguagem, questionamos, desde sua associação ao feminino, os signos repetidos e reafirmados por uma sociedade estrutural mente desigual. Na criação e desenvolvimento de uma nação, signos institucionalizados na cultura definem e formatam corpos. Quando este processo se torna negativo, o ato de se deslocar e se transformar, tanto fisicamente como emocionalmente, se torna necessário para a sobrevivência. 

O vazio provocado pela retirada dos retalhos é um vazio que compõe um novo cenário; um cenário de transformação. O que busco é justamente mostrar os limites e possibilidades do corpo, que em movimento, carrega e reage ao meio em que vive. Trata-se da busca pelo entendimento de "ser suficiente" e não um espaço vazio - um sexo frágil. A vulnerabilidade e a reinvenção desta paisagem, na verdade, só demonstra a fortaleza dos nossos corpos.

Júlia Brandão

Edição por Ana Paula Simões

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